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Unicamp desenvolve veículo sem emissão de poluentes

O primeiro veículo elétrico produzido no país com emissão zero de poluentes está sendo desenvolvido pelo Laboratório de Hidrogênio do Instituto de Física da Unicamp (Nipe). O protótipo do carro, batizado de Vega II, utiliza célula a combustível, que tem como fonte de energia o hidrogênio. O processo emite apenas água à atmosfera.


Protótipo Vega II

Encomendado pelo Ministério de Minas e Energia, o novo veículo, orçado em R$ 400 mil, deverá ser exposto em agosto no Salão de Inovação Tecnológica em São Paulo. Ele é híbrido, ou seja, utiliza simultaneamente bateria e célula combustível - sistema que combina hidrogênio com o oxigênio do ar, produzindo eletricidade e água.

Segundo o físico e pesquisador do Nipe, Paulo Ferreira, dependendo do processo escolhido a produção de hidrogênio, que abastecerá o motor elétrico do veículo, poderá ou não emitir poluentes. "Nosso veículo em princípio, irá ser abastecido por hidrogênio gasoso, portanto não emitirá nenhuma poluição", explica Ferreira.

Já na segunda fase do projeto, o carro será dotado de um reformador de etanol, que tem a função de quebrar moléculas de etanol, separando o hidrogênio dos demais componentes. Assim, o carro poderá ser abastecido em postos de combustíveis comuns.

Nesta fase, o veículo, assim como os carros a álcool, emitirá resíduos como dióxido de carbono, provenientes da reforma do etanol. "A diferença é que utilizando a cana de açúcar para a produção do álcool, a planta absorve estes componentes quando está crescendo. Então, no ciclo, a emissão é zero", esclarece o pesquisador. O processo também emite óxidos de nitrogênio, componentes da chuva ácida, mas em menor quantidade do que os motores a álcool.

O Vega II não é poluente
Além de ecologicamente correta, a nova tecnologia melhora a autonomia do veículo. Segundo Ferreira, a célula combustível consegue converter a energia em movimento com mais eficiência do que os motores a álcool. "Os carros convencionais conseguem transformar, aproximadamente, 20% do combustível em movimento, enquanto no sistema de célula combustível, a eficiência pode chegar ao dobro", analisa o físico. Na prática, enquanto um veículo a álcool faz 10 quilômetros por litro, por exemplo, o novo sistema faria 20 Km por litro.

Apesar de ser uma saída para a diminuição dos poluentes, a comercialização do Vega II no país é inviável, mesmo produzido em grande escala. Os protótipos iniciais chegam a custar R$ 50 mil. Segundo algumas montadoras, como a Mercedes Bens, o custo pode cair para R$ 30 mil caso haja escala de produção, mas o sistema seria viável apenas para carros grandes, como vans.

Nos Estados Unidos, o carro elétrico deve entrar no mercado em 5 anos. Os pesquisadores americanos, ao contrário dos brasileiros, usam o metanol para a produção de energia. "Lá a realidade é diferente. Na Califórnia, principalmente, existem leis que obrigam as montadoras a fabricarem veículos com emissão zero", salienta Paulo Ferreira . Inicialmente a intenção das montadoras era comercializar o carro elétrico já no ano que vem, mas as pesquisas tiveram que continuar com o objetivo de diminuir o custo ao consumidor. "Estes carros devem chegar ao mercado brasileiro depois de lançados no exterior. As montadoras brasileiras vão importar a tecnologia pronta", conclui o pesquisador.
Visualização da parte anterior da planta de células a combustível a hidrogênio


Visualização da parte posterior da planta de geração de hidrogênio

LEGENDA

A) células a combustível;


B) eletrolisador;


C) tanque de armazenamento de hidrogênio;


D) purificador (secagem e retirada do oxigênio);


E) sistema de aquisição de dados;


F) painel de controle


Fonte: Assessoria de Comunicação Social da ONG MUDA
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